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[Aug. 31st, 2005|03:03 pm]
triciclofeliz
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"VIVA A REPÚBLICA!!"
?!?!?mas foi mesmo isso que ele disse? hmmm. então, se o atavismo presidencial está em voga, tragam-me uma guilhotina, por favor, que há muitos a decapitar. 
e um viva à república alegre? não votaria no manuel alegre. desconfio sempre de quem os olhos brilham à menção das palavras 'revolução' e 'abril'. há nisso um saudosismo egocêntrico e perverso que me dá naúseas. no fundo, quem é incapaz de repensar os problemas, porque vive na ideia de que tudo se repete, só consegue mimetizar as soluções.
mas não antipatizo com ele, longe disso, só o acho demasiado atávico. respeito-o e tenho por ele a afeição que se deve aos familiares a quem se agradece a fortaleza genealógica, e cuja presença é indispensável nos natais, nas caçadas e nas vindimas. também me irrita aquela pose de pooooeta (ler com entoação de quem vai acrescentar: 'castrado nunca!!') aliás nem o aprecio como escritor (mas já houve um natal em que ofereci um livro dele e, tenho de reconhecer, que 'o cão' se revelou uma escolha bem mais apreciada que o 'magnólia' seguinte) e pressinto que, com ele, a cada promulgação sairia um poema para portugal.
no entanto, do que ouvi ontem do discurso - que bradava da sala enquanto eu cortava pimentos na cozinha -, acho que ele fez um discurso radiográfico muito forte, e muito certeiro no diagnóstico. por isso, gostei de o ouvir. mas, se ele o fez, em coerência devia ter-se candidatado. como não se candidatou, o discurso pareceu o de um embirrado, que na bancada se levantou para apupar a arena, e que até parecia que ia mandar os palhaços todos para a rulote, mas que depois se senta, deixando todos atarantados - palhaços incluídos. em suma, e em sumo, o que ficou foi um *só não me candidato para não dividir a esquerda.. MAS NÃO VOTEM NAQUELE PATIFE!!!*. muito triste.
e um viva à república balofa? no soares não voto. ele é bem mais matreiro que o alegre e soube cobrir o seu discurso saudosista, salpicando-o de termos como modernidade, europa, globalização, o nosso papel-no-mundo. não voto nele e não explico, porque explicar me magoa, pelo que nele já acreditei.
o soares inchou, e alguém devia preservá-lo dele mesmo, e poupar-nos a todos nós da toada nívea 'república minha, república minha, há lá reizinho melhor que eu?'.
e um viva a república boçal? eu não voto cavaco. refraseio: eu nunca votaria cavaco. e os motivos não têm nada a ver com o tão agitado papão da 'economia'. não voto nelo porque nunca votaria em alguém que não levaria a jantar a casa dos meus pais (este é um indicador pessoalíssimo, que me esquivo de explicar em detalhe, apenas acrescento que combina as variáveis 'embaraço', 'respeito' e 'juízo').
mas o facto de o cavaco poder ganhar preocupa-me, e severamente. a sua boçalidade está a ficar refinada, pois ele aprendeu a encapotá-la. isso torna-o muito, muito perigoso.
e um viva a república rústica? quem? ah aquele senhor do grémio agrícola concorre? para o que lhe havia de dar.. é que nunca lhe ouvi uma ideia de jeito. obviamente, não o pondero.
e um abaixo à república? não tenho nenhum, mas nenhum, mas é que mesmo nenhum, respeito pelo voto nulo. aliás, devia haver uma geringonça no cubículo de voto que esbofeteasse - com uma estalada só, e seca - todos os que tentam votam nulo e que ainda berram que têm direito de o fazer. essa gentinha não entende que o facto de se poder fazer uma coisa não faz desse acto um direito.
o voto nulo é apenas alguém que foi chamado a votar e desconversou. não protestou, ou foi radical, ou irreverente, como julga. é alguém que se limitou à infantilidade e parvoeira, e, como tal, não pode ser levado a sério, só levado por uma orelha.
mas nem um viva a estas repúblicas? pois. mesmo que exaurida de tanto o fazer, estou de volta ao voto em branco. ainda que dilacerada, parece-me o único voto que não me desrespeita.
bom, lá terei eu de recarregar a caçadeira com o zagalote para receber condignamente todos os que insistirão em dizer-me que o voto em branco é um voto indirecto. acho que vou começar pela minha irmã.
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